Proprietário da fazenda onde reservatório de água se rompeu em Uberlândia é multado em quase R$ 700 mil

Segundo o Núcleo de Emergência Ambiental, dono do empreendimento está realizando inspeção e monitoramento do córrego atingido. Dmae retomou produção normal de água na ETA Sucupira.

O proprietário da Fazenda Santa Fé, onde o reservatório de água se rompeu, levando barro até a Estação de Tratamento de Água (ETA) Sucupira, em Uberlândia, foi multado em quase R$ 700 mil. A informação foi confirmada pelo Núcleo de Emergência Ambiental (NEA) nesta terça-feira (2).

rompimento parcial da estrutura, localizada a 45 km de Uberlândia, ocorreu no dia 18 de julho e deixou a água do Rio Uberabinha turva na ETA Sucupira, fazendo com que o Departamento Municipal de Água e Esgoto (Dmae) reduzisse a produção. Nesta terça, a autarquia confirmou que o quantitativo voltou à normalidade. Confira abaixo.

O vazamento da água também resultou em alguns impactos ambientais, segundo o ambientalista Gustavo Malaco.

Autuação

De acordo com o Núcleo de Emergência Ambiental, o laudo técnico preliminar de investigação do acidente e dos respectivos danos ambientais causados pelo rompimento do reservatório foi entregue na noite de segunda-feira (1º). No documento, o proprietário afirmou que está fazendo relatório de inspeção e monitoramento da água do córrego, do trajeto até o Rio Uberabinha e da parte que permaneceu armazenada.

O dono também disse que está realizando o esvaziamento do piscinão, e que toda a área do entorno foi isolada. Além disso, iniciou processo de contratação de um especialista em barragens para realizar a avaliação da causa do rompimento, mas que a visita depende da retirada completa da água.

Já o auto de infração concluído pela Superintendência Regional de Meio Ambiente do Triângulo Mineiro (Supram-TM) apontou que o rompimento do piscinão causou intervenção em Área de Preservação Permanente (APP) e dano ao recurso hídrico. Também ficou constatado que o proprietário da fazenda não comunicou o acidente no tempo exigido pela legislação ambiental.

Assim, ele foi multado em 144.562,6 Unidades Fiscais do Estado de Minas Gerais (UFEMGs), o que representa o valor de R$ 689.606,97. O NEA vai continuar acompanhando o caso para que o auto de fiscalização seja cumprido.

Abastecimento

O abastecimento foi monitorado pelo Dmae desde o dia do rompimento do reservatório. O nível de turbidez saltou de 6 para 420 na Estação de Tratamento de Água (ETA) Sucupira, mas, apesar da água ter ficado escura, o órgão informou que não foram encontrados contaminantes químicos.

No entanto, por precaução, houve diminuição na produção de água tratada, passando de 1 mil litros para 500 litros por segundo. Conforme a autarquia, nesta terça-feira, a turbidez na ETA Sucupira está próxima do normal, mas o quantitativo, no entanto, não foi informado. A produção voltou a operar em plena capacidade.

Água barrenta na ETA Sucupira no dia 22 de julho — Foto: TV Integração/Reprodução

Água barrenta na ETA Sucupira no dia 22 de julho — Foto: TV Integração/Reprodução

Relembre o caso

rompimento parcial do reservatório da Fazenda Santa Fé ocorreu no dia 18 de julho. A estrutura, também conhecida por piscinão, tem 12 metros de profundidade e capacidade para armazenar 1 milhão de m³ de água usada na irrigação de lavoura.

A água que vazou transportou barro até o Rio Uberabinha. O deslocamento de lama chegou à Estação de Tratamento de Água (ETA) Sucupira no dia 21.

Em menos de 24 horas, a turbidez da água na estação passou do nível 6 para o nível 420. A diminuição da transparência da água levou a uma diminuição da vazão tratada pela metade.

No dia 22 de julho, o g1 mostrou que a propriedade onde o reservatório está foi fiscalizada pela Superintendência Regional de Meio Ambiente do Triângulo Mineiro (Supram-TM).

O relatório da Supram-TM concluiu que a força da água causou a remoção da vegetação de uma Área de Preservação Permanente (APP) e a exposição da argila do solo, que pode causar ainda mais degradação do solo. Porém, além desses impactos iniciais já identificados, outros em médio e longo prazo podem ocorrer, principalmente em relação a espécies de peixes e de vegetações específicas da região.

G1

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