Presos na Operação Nêmesis atuavam em grandes roubos e na regularização de caminhões

Os alvos da investigação são suspeitos de integrarem grupos criminosos que atuavam em grandes roubos e na regularização de veículos.

Em coletiva de imprensa no final da manhã desta terça-feira, os promotores de justiça do Gaeco de Patos de Minas Paulo César de Freitas e Cleber Couto e os comandantes da Polícia Militar, coronel Waldimir Soares e coronel Olímpio deram detalhes da Operação Nêmeses que cumpriu 71 mandados de busca e apreensão e 42 mandados de prisão em Patos de Minas em outras de Minas e de São Paulo. Os alvos da investigação são suspeitos de integrarem grupos criminosos que atuavam em grandes roubos e na regularização de veículos.

As investigações tiveram início com o assassinato de David Matos Nunes de 31 anos em fevereiro deste ano na estrada que liga Quintinos a Major Porto. Segundo o promotor Paulo César de Freitas, o assassinato foi encomendado por Antônio Carlos Soares, de 44 anos. O homem conhecido como Tonhão seria o chefe da quadrilha e teria três homens de confiança, que seriam David, Paulo e Ananias encarregados de contratar outras pessoas para cometer roubos de cargas. Tonhão teria se desentendido com David e contratado Paulo matá-lo.

Tonhão era presidente da Associação Patense dos Empreendedores do Transporte – APERT – localizada no bairro Planalto em Patos de Minas e oferecia serviços de seguro e rastreamento. Segundo o Ministério Público, ao mesmo tempo em que oferecia proteção, Tonhão designava os roubos e indicava os veículos  alvos da quadrilha. Para não ter que pagar o seguro, que seria bancado pela própria Associação, Tonhão determinava que apenas a carga fosse levada. Os caminhões eram abandonados.

Outro ramo da quadrilha era a regularização de veículos sem passar pela vistoria. É neste ramo que entram o casal de despachantes em Belo Horizonte e a chefe do Detran de São José do Rio Preto, que foi presa e trazida de avião para Patos de Minas. Serviços como a regularização do terceiro eixo de carreta, que é caro e demorado, era feito em poucas horas com a cobrança de propina. Centenas de veículos foram regularizados desta forma e movimentado milhões de reais. Segundo o promotor Paulo César de Freitas, somente uma empresa em Patos de Minas lavou mais de R$ 6 milhões em menos de um ano. O casal de despachantes preso em Belo Horizonte levava uma vida de luxo, com carros importados e casa em condomínio de alto padrão.

Até mesmo os roubos em série a estabelecimentos comerciais que  assustaram em Patos de Minas está relacionado a organização criminosa. Segundo o promotor Paulo César de Freitas, após a morte de David e o início das investigações, um braço da quadrilha decidiu deixar o roubo de cargas e veículos e partir para roubos a estabelecimentos comerciais. Pelo menos 10 empresas em Patos de Minas foram alvos do grupo. Um policial civil preso na Operação é apontado como mentor dos roubos a estes estabelecimentos.

A Operação contou com promotores de justiça do Gaeco e de mais de 280 policiais militares de Patos de Minas, do Bope e da Rotam de Uberlândia e Belo Horizonte, cavalaria, canil, dois helicópteros e uma aeronave para transportar os presos de outras cidades. Ao todo, foram cumpridos 71 mandados de busca e apreensão e 40 mandados de prisão, sendo 38 em Patos de Minas. Um policial civil teve a prisão decretada pela Justiça. Foram cumpridos mandados de prisão contra outros seis policiais civis. Na casa de um deles, a força tarefa encontrou R$ 182 mil em espécie.

Segundo o promotor Paulo César de Freitas não há confirmação de que os policiais civis alvos dos mandados de busca e apreensão tenham envolvimento com os crimes praticados pela organização criminosa. Ele disse que os diversos computadores, telefones e outros equipamentos apreendidos serão investigados a partir de agora e poderão indicar a participação ou não de cada um nos esquemas criminosos.

Os presos na Operação vão responder por homicídios, concussão, corrupção, prevaricação, falsidade ideológica,  furto e roubo de veículos, de cargas,  de fazendas, de estabelecimentos comerciais, receptação e adulteração de sinais identificadores de veículos, cárcere privado,  inserção de dados falsos em sistemas de informações dos bancos de dados da Administração Pública, adulteração de sinal identificador de veículo, lavagem de capitais, falsificação e comercialização de documentos públicos.

Patos Hoje



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