Paciente em Uberlândia apresenta sintomas da síndrome nefroneural; HC-UFU inicia protocolo para investigar caso

Polícia Civil em BH apura relação de internações e mortes com consumo de cerveja fabricada pela Backer. Homem disse que bebeu cerveja, mas não informou marca, segundo Prefeitura.

O Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia (HC-UFU) confirmou no fim da manhã desta quinta-feira (16) que vai dar início ao protocolo de investigação de um paciente, de 36 anos, que apresentou sintomas compatíveis ao da síndrome nefroneural.

Inicialmente, ele esteve internado na Unidade de Atendimento Integrado (UAI) do Bairro Tibery, mas devido aos sintomas, foi transferido para o HC. Até agora, três óbitos foram registrados pela síndrome.

Segundo informou a Secretaria Municipal de Saúde, na noite de quarta-feira (15) um paciente deu entrada na unidade de saúde com alteração das funções renais e afirmou ter consumido cerveja recentemente, mas não falou a marca. Ele recebeu os primeiros atendimento e, por segurança, foi transferido de imediato para o Hospital de Clínicas. Foi informado que todo o acompanhamento deste caso está sendo feito pela Vigilância Epidemiológica do município e do Estado.

Uma força-tarefa investiga a relação das internações e mortes com o consumo da cerveja Belorizontina, da fabricante Backer. A substância tóxica dietilenoglicol foi encontrada em lotes do produto. Nesta quarta-feira (15), hipóteses de que a água usada na fabricação estava contaminada foram levantadas.

Medidas adotadas

Sobre os casos suspeitos, a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) informou que devem ser imediatamente notificados (em até 24 horas) ao Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde Minas (CIEVS) pelo telefone e por e-mail os casos ocorridos a partir de 1º de dezembro de 2019 que iniciaram com sintomas gastrointestinais (náusea e/ou vômito e/ ou dor abdominal) associados à insuficiência renal aguda grave de evolução rápida (até 72 horas) seguida de uma ou mais alterações neurológicas: paralisia facial, borramento visual, amaurose, alteração de sensório e paralisia descendente.

Entenda

Desde o início de janeiro, a Polícia Civil investiga a presença de dietilenoglicol em cervejas da marca Belorizontina, produzidas pela Backer.

A suspeita é que a substância teria provocado uma síndrome nefroneural que afetou 17 pessoas em Minas Gerais. Até esta quinta-feira (16), três mortes foram confirmadas, sendo uma em Juiz de Fora e duas em Belo Horizonte.

O caso de uma mulher que também morreu com sintomas da síndrome em Pompéu, região Centro-Oeste de Minas Gerais, segue em investigação. Este caso não constava no último balanço oficial da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), mas a Secretaria Municipal de Pompéu informou ter notificado a pasta estadual.

Uma força-tarefa investiga a relação das internações e mortes com o consumo da cerveja Belorizontina.

Entre os sintomas da síndrome nefroneural estão alterações neurológicas, além de insuficiência renal. De acordo com a presidente da Sociedade Mineira de Nefrologia, Lilian Pires de Freitas do Carmo, os primeiros sinais de intoxicação por dietilenoglicol são dores abdominais, náuseas e vômitos. O tratamento é feito no hospital, com monitoração, e tem o etanol como antídoto.

Lotes contaminados com substância tóxica

Até o momento, o dietilenoglicol foi encontrado pela Polícia Civil em três lotes da cerveja Belorizontina: L1 1348, L2 1348 e L2 1354. A Backer considera que são dois lotes, sendo L1 1348 e L2 1348 linhas diferentes de um mesmo lote.

O Ministério da Agricultura identificou a substância tóxica em seis lotes da cerveja Belorizontina. São eles: L2 1354, L2 1348, L2 1197, L2 1604, L2 1455 e L2 1464. A pasta também confirmou a contaminação do lote L2 1348 da cerveja Capixaba, que é a mesma cerveja, mas usa um rótulo diferente.

Uma perícia contratada pela própria cervejaria confirmou a presença de dietilenoglicol na cerveja, conforme mostra o vídeo abaixo. Em nota divulgada no início desta tarde, a empresa informou que a “ainda está em andamento” e que “precisa aguardar a conclusão dos laudos para compartilhar os resultados com a sociedade”.

A Backer disse ainda que “é a principal interessada na apuração dos fatos e que o objetivo é auxiliar e contribuir sem restrições com as autoridades.”

G1

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