Operação ‘Libertas’: Gaeco prende travesti no Rio Grande do Sul denunciada junto de Pâmela Volp e a filha por tentativa de latrocínio em Uberlândia

Prisão ocorreu nesta quinta-feira (18) na cidade de Caxias do Sul; Ministério Público investiga crimes cometidos por um grupo que seria comandado pela ex-vereadora.

Mais uma pessoa foi presa dentro da operação ‘Libertas’, comandada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) em Uberlândia. A ação ocorreu nesta quinta-feira (18) no Rio Grande do Sul. Já são 3 os estados onde ocorreram prisões e apreensões desde a primeira fase da operação, no início de novembro. No desdobramento, que ocorreu na quarta (17), outras 2 pessoas foram presas, em Uberlândia e Criciúma (SC).

Segundo o promotor de Justuça, Thiago Ferraz de Oliveira, que coordena as investigações, nesta quinta, uma travesti foi presa preventivamente na cidade de Caxias do Sul. Ela foi denunciada pelo Ministério Público de Minas Gerais por tentativa de latrocínio, junto da ex-vereadora de Uberlândia Pâmela Volp e a filha, Paula Volp.

O Gaeco investiga crimes cometidos por um grupo que seria comandado por Pâmela Volp. Entre os delitos estão: associação criminosa, exploração sexual, manutenção de casa de prostituição, roubo, lesão corporal, homicídio, constrangimento ilegal, ameaça, posse e porte de arma de fogo. Ainda segundo o MP, há relatos de que o esquema criminoso tenha iniciado em 1992 e, assim, já dura há quase 30 anos.

Denúnica do MP

Nesta quinta-feira, o Ministério Público de Minas Gerais comunicou à imprensa a denúncia da ex-vereadora Pâmela Volp e a filha, Paula Volp, por uma tentativa de latrocínio ocorrida em 2018 contra uma travesti, em Uberlândia. Além disso, outros inquéritos policiais envolvendo as duas são acompanhados pelo órgão.

As prisões das duas investigadas passaram a ser preventivas e elas seguirão presas até quando for necessário para o processo. Já Lamar Bionda, que foi detida junto com as duas durante a primeira fase da ação, foi liberada na quarta-feira (17).

Tentativa de latrocínio

De acordo com o promotor do Gaeco, Thiago Ferraz, a ação penal que está em curso é a da tentativa de latrocínio que tem “uma pena muito alta no ordenamento jurídico e pode chegar a até 30 anos de prisão”. O crime foi registrado no ano de 2018.

Na época, a vítima era uma travesti que veio de Catalão (GO) e estava “fazendo ponto” na região próxima ao Motel Vegas, em Uberlândia.

“Três pessoas, que já foram identificadas, acompanhadas de outras duas não identificadas, chegaram de carro, abordaram essa travesti e já desceram agredindo”, detalhou Ferraz.

Ainda conforme a descrição do promotor, elas “desceram com barra de ferro, deram um golpe na nuca, a travesti caiu e a chefe da organização começou os espancamentos com chutes e socos e deixou a vítima desacordada. Ela foi até a UAI [Unidade de Atendimento Integrado] Roosevelt, mas estava tão apavorada que fugiu de lá. Essas pessoas foram identificadas, duas já tiveram as prisões preventivas decretadas”.

g1 apurou que a pessoa apontada como a chefe da organização pelo promotor do Gaeco é Pâmela Volp. Já a segunda é a filha dela. A terceira não teve o nome divulgado. Mesmo com o crime tendo ocorrido há mais de 3 anos, a vítima ainda diz que é intimidada constantemente.

A audiência de instrução e julgamento da tentativa de latrocínio está marcada para ocorrer no dia 27 de janeiro de 2022. Na ocasião, serão ouvidas testemunhas, vítimas, peritos e acusados para, posteriormente, ser decidido pelo juiz o futuro dos investigados.

Outros crimes

Além da tentativa de latrocínio, o MPMG acompanha outros cinco inquéritos policiais, sendo três deles homicídios.

“O MPMG postulou também pelo pagamento de indenização em favor da vítima do crime de tentativa de latrocínio e assim vai proceder em todas as ações penais que forem deflagradas. Estamos com muito material na extração de telefones. As vítimas têm contribuído muito”, detalhou o promotor.

Ainda conforme o órgão, também há informações de que havia um possível esquema relacionado ao envio de travestis para a Itália. “Nós recebemos também a ligação de uma travesti que confirmou que havia uma rede de prostituição comandada por ela [Pâmela Volp] na cidade de Monza”, disse Ferraz.

Caso você tenha sido uma possível vítima da organização criminosa, o Gaeco pede para comparecer na Rua São Paulo, nº 95, no Bairro Tibery, para realizar a denúncia.

Novas prisões

Gaeco em frente ao mausoléu da família de Pâmela Volp — Foto: Reprodução/Rede social

Gaeco em frente ao mausoléu da família de Pâmela Volp — Foto: Reprodução/Rede social

Na segunda fase da operação, desencadeada na quarta-feira, dois mandados de prisão foram cumpridos, sendo um de Raquel Rosa, classificada como “gerente” de Lamar Bionda, além de Paula Cocoque foi presa em Criciúma (SC) e era responsável pelo intercâmbio de travestis entre o Sul do país e Uberlândia.

Também foram cumpridos mandados de busca e apreensão. Entre os endereços estão um mausoléu em Tupaciguara e um apartamento na Praia Grande (SP), ambos da ex-vereadora Pâmela Volp.

O carro de Pâmela Volp, um porshe avaliado em R$ 1 milhão, também foi entregue ao MPMG. Conforme o capitão da Polícia Militar (PM) de Uberlândia, Elias Alves, o veículo, assim como outros bens, eram utilizados para lavagem de dinheiro e disfarçar a origem do valor.

Porshe avaliado em R$ 1 milhão, que é de propriedade da ex-vereador de Uberlândia, Pâmela Volp — Foto: Divulgação

Porshe avaliado em R$ 1 milhão, que é de propriedade da ex-vereador de Uberlândia, Pâmela Volp — Foto: Divulgação

Protestos

Ainda durante a coletiva, o promotor foi questionado sobre as manifestações que pediam pela liberação das investigadas. Ferraz afirmou que “certamente foi uma manifestação montada, arquitetada para chamar atenção da imprensa, pois de todas as meninas que a gente tem ouvindo, nenhuma levanta a bandeira para essas cafetinas”.

“Uma coisa que chamou atenção foi que no dia 5 de novembro de 2021, nós tivemos a informação da participação de várias integrantes na tentativa de intimar de extorquir travestis que faziam ponto no Bairro Dona Zulmira. Isso evidencia que o grupo insiste em intimidar essas vítimas”, completou o promotor.

Grupo manifesta contra a prisão da ex-vereadora Pâmela Volp em Uberlândia

G1

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