Extinção de espécies raras e assoreamento: Entenda os possíveis impactos do rompimento de reservatório para o Rio Uberabinha em Uberlândia

Rompimento aconteceu no dia 18 de julho; até o momento, foi constatado que força da água causou remoção da vegetação e exposição da argila do solo. G1 conversou com ambientalista para entender o que pode ocorrer a médio e longo prazo.

rompimento parcial de um reservatório de água a 45 km de Uberlândia, no dia 18 de julho, deixou a água do Rio Uberabinha barrenta e resultou em alguns impactos ambientais: a força da água causou a remoção da vegetação de uma Área de Preservação Permanente (APP) e a exposição da argila, que pode causar ainda mais degradação do solo.

Porém, além desses impactos iniciais já identificados, outros em médio e longo prazo podem ocorrer, principalmente em relação a espécies de peixes e de vegetações específicas da região.

Para entender esses possíveis prejuízos, o g1 conversou com o biólogo e ambientalista Gustavo Malaco. Confira na reportagem abaixo.

Fauna e flora

De acordo Malaco, o ponto de vista físico e biológico é o mais impactante, considerando a vegetação, os corpos d’água – como rios, lagos e outros locais de concentração de água – e a fauna e a flora do local.

“O primeiro impacto é o assoreamento dos corpos d’água. Eu imagino que a lama deve ter ido para algum tributário do Rio Uberabinha, para algum afluente. E aí você tem uma sedimentação, tipo aquele processo, com outros tipos de materiais, de Mariana e Brumadinho. Não quero comparar os dois, mas quero comparar o que acontece no leito desses córregos e desses tributários, onde você tem esse processo bastante intensificado”, detalhou.

Esse assoreamento citado por Malaco é referente ao acúmulo de terra, lixo e matéria orgânica no fundo de um rio. Em casos mais graves, ele reduz o volume de água, além de torná-la turva e não deixar a luz entrar, impossibilitando o processo de fotossíntese e, assim, impedindo a renovação de oxigênio para algas e peixes.

“Na hora que você tem esse processo de assoreamento, você pode também ter uma redução da vazão desses próximos córregos que alimentam o Rio Uberabinha. E a degradação de uma paisagem, que também é importante”, completou.

Perigo para espécies

Água tem aspecto barrento próximo à ETA Sucupira, em Uberlândia — Foto: Reprodução/TV Integração

Água tem aspecto barrento próximo à ETA Sucupira, em Uberlândia — Foto: Reprodução/TV Integração

O ambientalista ainda explica que no Rio Uberabinha e nos tributários – corpo de água que flui para um rio maior ou para um lago ou reservatório – existem espécies de peixes raras, endêmicas e ameaçadas de extinção.

“O principal impacto é mortandade de animais, que são muitas espécies num tipo de ambiente. Esses ambientes de vereda, de campos hidromórficos, tem muitas espécies que são bastante restritas ao tipo de habitat e, consequentemente, podem ser impactadas a diminuição dessas populações”, comentou.

Porém, segundo Malaco, não são só espécies de peixes que preocupam. “É muito impactante quando você tem esse processo aí que vai matar essas populações e também de plantas, às vezes muito raras, espécies de plantas herbáceas”.

Buscar soluções

Além de questionar os impactos, para o ambientalista, também é importante traçar soluções que evitem novos problemas como o ocorrido neste mês, causados pelas ações humanas no meio ambiente. Para ele, esse tipo de obra se mostra inseguro e não pode mais ocorrer em uma área de manancial, tendo que ser proibida.

“Vamos ter que ter esse processo de restauração, o próprio órgão ambiental vai ter que tratar disso, mas a gente foge do planejamento. Nós precisamos ter um planejamento especialmente para essas regiões de mananciais, como a do Rio Uberabinha, do que pode e do que não pode ter”.

Problemas identificados

Água está barrenta no canal de captação da ETA Sucupira, em Uberlândia, devido ao rompimento de reservatório em propriedade rural — Foto: Reprodução/TV Integração

Água está barrenta no canal de captação da ETA Sucupira, em Uberlândia, devido ao rompimento de reservatório em propriedade rural — Foto: Reprodução/TV Integração

Conforme a fiscalização do NEA, o rompimento do reservatório atingiu quase 51 hectares – área equivalente a mais de 47 campos de futebol – sendo 17 hectares de lavoura de milho e 33 de Área de Preservação Permanente (APP).

A partir dessa ação, um auto de fiscalização foi emitido pela Superintendência Regional de Meio Ambiente Triângulo Mineiro (Supram-TM), estabelecendo um prazo de 10 dias para o empreendedor apresentar informações preliminares sobre as causas do rompimento do reservatório e respectivos danos ambientais.

A estrutura do reservatório que rompeu, também conhecida por “piscinão”, tem 12 metros de profundidade e capacidade para armazenar 1 milhão de m³ de água usada na irrigação de lavoura.

Os sedimentos transportados pelo vazamento do reservatório deixaram a água do Rio Uberabinha barrenta e fez com que o Departamento Municipal de Água e Esgoto de Uberlândia monitorasse a situação na ETA Sucupira. No dia do rompimento, o nível de turbidez da água na estação saltou de 6, que é considerado normal, para 420.

G1

Share on facebook
Facebook
Share on whatsapp
WhatsApp
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn