Após prender blogueiro de Uberlândia e apreender 40 carros de luxo, nova operação vai investigar médicos e venda ilegal de remédios

Operação “Popeye” investiga 125 pessoas em MG, suspeitas de comprarem medicamentos controlados usados como hormônio do crescimento. Operação ‘Má Influência’ já deteve ao menos 1 médico, além de influenciador, mãe e irmão dele.

A Operação “Má Influência”, que teve como principal alvo o vendedor de celular e blogueiro de Uberlândia, com mais de 500 mil seguidores nas redes sociais, Lohan Ramires, teve balanço divulgado nesta segunda-feira (30). Os resultados da ação foram informadas pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), Secretaria de Estado de Fazenda e polícias Civil e Militar.

Realizada na última sexta-feira (27), “Má Influência” prendeu Lojan Ramires por suspeita de tráfico de drogas e comércio de medicamentos restritos. Na ação, Cláudia e Arthur Ramires, mãe e o irmão de Lohan, e o médico Leonardo Pinder também foram presos. 

Na coletiva, também foi anunciada a realização da Operação “Popeye”, que será um desdobramento da ação realizada na semana passada. A nova investigação vai apurar o envolvimento médicos em esquema de compra de remédios restritos para consumo como hormônio do crescimento.

Balanço

De acordo com o delegado-chefe da Polícia Civil, Marcos Tadeu de Brito Brandão, 14 pessoas foram presas e 4 das 8 medidas cautelares expedidas foram cumpridas na Operação “Má Influência”. Além disso, mais de R$ 120 mil em dinheiro em espécie e 40 veículos de luxo foram apreendidos.

“Tanto os mandados de prisão, quanto os de busca e apreensão foram cumpridos de forma simultânea, com saldo de 14 pessoas presas, sendo que especificamente duas pessoas tinham mandados de prisão em aberto em 2 processos distintos”, afirmou Brandão.

Entre os presos está Lohan Ramires, apontado como principal alvo. A suspeita dos investigadores é que ele tenha sido influenciado por um dos principais alvos da Operação “Diamante de Vidro”, realizada em agosto de 2021.

Além de Lohan, a mãe e o irmão dele, Cláudia e Arthur Ramires, foram presos suspeitos de lavagem de dinheiro. A ação também prendeu o médico Leonardo Pinder, suspeito de participação no esquema de comercialização de medicamentos restritos montado por Lohan.

“Esperamos que através dessas pessoas e materiais, a gente possa ter mais conhecimento sobre o caso e termos, que sabe, outros desdobramentos de operações”, disse o capitão da Polícia Militar, Elias Alves.

Operação ‘Popeye’

Segundo o coordenador do Núcleo de Acompanhamento Criminal da Secretaria de Estado de Fazenda, Flávio Andrada, a partir de agora um desdobramento da Operação “Má Influência” vai investigar a comercialização de medicamentos restritos. Será a Operação “Popeye”, que de acordo com o coordenador, está investigando 125 pessoas em várias cidades de Minas Gerais, suspeitas de comprarem remédios controlados usados como hormônio do crescimento.

Deste total, mais de 80 investigados são médicos. Em Uberlândia, 22 pessoas são investigadas no desdobramento. A suspeita é que além da falta de autorização para comercialização, as mercadorias fossem adquiridas sem o pagamento de impostos.

“Conseguimos identificar que uma empresa de Goiânia mandava para Minas Gerais uma quantidade muito grande de medicamentos. São remédios de circulação restrita por legislação da Anvisa, que foram enviados para pessoas físicas, sem o recolhimento de tributos devidos”, afirmou Andrada.

Ainda segundo o coordenador da receita estadual, as pessoas que adquiriram os medicamentos de uso restrito podem regularizar a situação.

“Os educadores físicos que adquiriram essas mercadorias, os médicos e pessoas comuns que compraram os medicamentos com objetivo de revenda devem procurar o Estado, caso queiram regularizar a sua situação. Essa foi a primeira fase de muitas que podem vir”, concluiu Flávio Andrada.

Operação ‘Má Influência’

vendedor de celulares com mais de 500 mil seguidores nas redes sociais, Lohan Ramires, foi preso por suspeita de tráfico de drogas e entrada de medicamentos proibidos no país, na manhã desta sexta-feira (27). Ele tem 29 anos e se intitula em uma rede social como “blogueiro”.

A prisão ocorreu na residência dele em um condomínio no Setor Sul, área nobre da cidade. A mãe deleCláudia Ramires, também foi presa por suspeita de lavagem de dinheiro. No imóvel, foram apreendidos anabolizantes, joias, bens de alto valor, uma caminhonete, um carro, além de dinheiro em espécie.

A operação também tem outros alvos, entre eles, o irmão de Lohan, Arthur Ramires. Ele foi preso por suspeita de tráfico de drogas, associação para o tráfico, organização criminosa, falsidade ideológica e falsificação de produtos farmacêuticos.

Operação “Má Influência” foi realizada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e a Coordenadoria Regional da Ordem Econômica e Tributária do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) com apoio das polícias Civil e Militar, e é um desmembramento da Operação “Diamante de Vidro”, realizada em agosto de 2021.

Segundo o Gaeco, o médico Leonardo Pinder, apontado como sócio de Lohan em um esquema de venda de anabolizantes, também foi alvo da operação. O médico apenas preenchia o nome dele em formulários assinados, e Lohan completava com o nome de clientes para a compra dos produtos em Goiânia, para revender em Uberlândia.

Um mandado de busca e apreensão contra um advogado foi cumprido.

Diamante de vidro

A operação denominada “Diamante de Vidro” foi em referência ao início das investigações, que ocorreu da prisão de três suspeitos de estarem negociando diamantes em Uberlândia, em junho de 2020. Mas, no decorrer das apurações, foi verificado que o material apreendido não se tratava dessa pedra preciosa.

Em 17 de agosto, 117 mandados de prisão, de busca e apreensão, de indisponibilidade de imóveis e de sequestro de veículos foram cumpridos em Uberlândia, Araguari, Tupaciguara, Paracatu, Córrego Danta (Centro-Oeste de Minas), Jaíba (Norte de Minas), e em São Paulo (SP).

Ao todo, a Justiça de Uberlândia expediu 46 mandados de busca e apreensão, 28 mandados de prisão preventiva, além de indisponibilidade de 14 imóveis e sequestro de 27 veículos e 2 embarcações náuticas. A indisponibilidade de bens e de patrimônio dos alvos investigados decretada pelo Poder Judiciário é de até R$ 13 milhões.

No dia 3 de setembro, o principal alvo da operação foi preso ao chegar em Uberlândia. Ele tinha saído de São Paulo e foi preso em um ônibus de transporte interestadual em um dos acessos à cidade.

O suspeito utilizou documento falso para comprar a passagem de ônibus. A residência dele em Uberlândia foi um dos alvos da busca e apreensão no mês passado e novo mandado fui cumprido no local no dia 3, após a prisão; o balanço desse novo cumprimento não foi divulgado.

G1

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